Webinário do Programa InovaCidades MPC apresenta a experiência de Curitiba na estruturação do ecossistema de inovação

O Ministério Público de Contas do Paraná (MPC-PR) realizou nesta quinta-feira (6 de agosto) o 5º encontro da série de webinários do programa InovaCidades MPC – Cases de Sucesso em Gestão Pública. Nesta edição, a programação apresentou sobre o Município de Curitiba, representado pela Diretora de Informações do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC), Mônica Máximo Silva, que relatou sua experiência na capital paranaense enquanto sua estruturação do ecossistema de inovação, demonstrando como o planejamento urbano de longo prazo, o uso inteligente de dados e a articulação institucional podem se converter em política de desenvolvimento econômico e melhorar a qualidade de vida da população. 

Na abertura do evento, o Procurador-Geral do MPC-PR, Gabriel Guy Léger, destacou que “os desafios enfrentados pelos Municípios são cada vez mais complexos”, de modo que questões relacionadas ao desenvolvimento econômico, à transformação digital, à sustentabilidade, à mobilidade urbana e à melhoria dos serviços públicos “exigem gestores preparados e instituições capazes de inovar e de se adaptar”. Segundo ele, Curitiba ocupa posição de destaque nesse debate, sendo reconhecida há décadas por sua capacidade de planejamento e por iniciativas que se tornaram referências mundiais em áreas como mobilidade urbana, gestão ambiental e organização territorial. 

Case de Curitiba 

Em sua apresentação, a Diretora Mônica Máximo Silva partiu de uma provocação “o que faz uma empresa decidir investir em uma cidade?”. Segundo ela, mais do que incentivos fiscais, impostos ou infraestrutura, as empresas escolhem ambientes. Nesse sentido, explicou que o IPPUC nunca teve como missão atrair empresas, mas sim planejar a cidade sob o olhar de como impactar diretamente as empresas e onde podem se instalar, como as pessoas chegam ao trabalho e quanto custa produzir. “No fim, toda decisão territorial é também uma decisão econômica”, afirmou, defendendo o planejamento urbano como uma política de desenvolvimento econômico. 

A apresentação percorreu a evolução dos ambientes de desenvolvimento da cidade. Nas décadas de 1950 e 1960, no contexto da industrialização nacional, foi concebida a Cidade Industrial de Curitiba (CIC). O diferencial, segundo a Diretora, não foi apenas conceder incentivos, mas estruturar toda a região para receber o parque industrial, com desapropriação de terrenos, investimento pesado em infraestrutura antes da chegada das empresas e um zoneamento específico, integrado aos eixos estruturais e à habitação. Como resultado, consolidou-se o principal polo industrial do Município, com forte diversificação econômica, cerca de 20 mil empresas ao longo da história e aproximadamente 80 mil empregos gerados. 

Já nos anos 1990 e 2000, com a consolidação da economia do conhecimento, a competitividade deixou de se basear apenas na localização e passou a depender de tecnologia e retenção de talentos. Nesse período surgiram o Parque de Software, a criação da Agência Curitiba (2007) e o Programa Tecnoparque. Entre os instrumentos, a redução da alíquota de ISS de 5% para 2%, com a diferença obrigatoriamente investida em projetos de inovação. Foram cerca de 120 projetos analisados, com taxa de aprovação de 90% e mais de 20 mil empregos associados. 

Destacou também o Projeto Vale do Pinhão, idealizado entre 2010 e 2020, o qual se tornou a principal estratégia de Curitiba para articular seu ecossistema de inovação e consolidar a capital paranaense como referência nacional em cidades inteligentes. A iniciativa nasceu em um cenário de fortalecimento da chamada tríplice e quádrupla hélice, a integração entre poder público, empresas, universidades e sociedade, tendo a colaboração como conceito central.  

Segundo a Diretora, Curitiba já contava com um ecossistema de inovação consolidado, mas disperso. Para aproximar esses atores, o Município mobilizou uma série de instrumentos, entre eles a reativação do programa Tecnoparque, a criação da Lei Municipal de Inovação, o coworking público Worktiba — que passou a atuar como pré-incubadora —, o Pinhão Hub, editais de inovação, o Paiol Digital, o Pitch Vale do Pinhão e a Smart City Expo, além de programas de empreendedorismo e internacionalização de empresas. Para o IPPUC, o desafio permanente é criar um ambiente em que a inovação aconteça de forma contínua, transformando conexões e conhecimento nos principais ativos da cidade. 

A Diretora destacou ainda o projeto recente “Curitiba de Volta ao Centro”, que combina instrumentos urbanísticos, fiscais e econômicos para transformar a região central em um território mais atrativo para morar, empreender e investir. Construído de forma colaborativa e com lei promulgada em dezembro do ano passado, o projeto já lançou edital de subvenção econômica: foram 47 propostas, somando R$ 268 milhões em investimento, com aporte de R$ 30 milhões do município nesta primeira etapa. 

Mônica apresentou também o papel do IPPUC na inteligência urbana e na gestão baseada em evidências, com ferramentas como o Geo Curitiba (plataforma de dados geoespaciais, com cerca de 50 aplicativos), o Info Curitiba (com aproximadamente 900 variáveis estatísticas), o Curitiba 3D e diversos painéis interativos, incluindo o dashboard de alvarás de funcionamento. Entre os exemplos citados estão a análise multidomínio aplicada ao combate à dengue em 2024 e o estudo que revisou a proposta de megaunidades de educação infantil, limitando o projeto-padrão a 280 crianças por escola. A Diretora apresentou ainda a criação do Hipervisor Curitiba, nova diretoria voltada a análises avançadas de dados, com investimento em soberania digital e financiamento da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), além de laboratório BIM. 

Ao encerrar, Mônica retomou a pergunta inicial e reforçou que, além de incentivos e infraestrutura, as empresas escolhem cidades que oferecem confiança, isto é, confiança de que haverá planejamento, de que as regras permanecerão estáveis, de que o poder público conhece o seu território e de que as decisões são tomadas com base em evidências.”O IPPUC não apenas ajudou a planejar Curitiba; ajudou a construir um ambiente em que investir se tornou mais previsível, inovar se tornou mais viável e desenvolver se tornou uma consequência de todo esse planejamento”, afirmou a Diretora. 

InovaCidades MPC 

O Programa InovaCidades MPC foi criado para dar visibilidade a experiências bem-sucedidas realizadas por municípios paranaenses em áreas estratégicas da administração pública. A proposta é reconhecer e difundir iniciativas capazes de aprimorar a gestão, qualificar os serviços prestados à população e impulsionar a adoção de práticas inovadoras no setor público. 

Mais do que apresentar boas ideias, o programa promove a troca de conhecimento entre gestores, servidores e instituições, contribuindo para consolidar uma cultura pautada pela inovação, pela eficiência, pela transparência e por uma governança orientada a dados e evidências. Ao reunir e compartilhar cases de sucesso, a iniciativa amplia o diálogo sobre soluções já testadas nos municípios e favorece a replicação de boas práticas, que podem ser adaptadas às diferentes realidades da administração pública paranaense. 

Próximo encontro: save the date! 

Os Webinários com as apresentações dos cases de sucesso dos Municípios e entidades paranaenses terão continuidade ao longo do ano, de modo que o próximo encontro já tem data marcada: 15 de setembro, às 14h, sobre o tema “Guia de Preparação das Prefeituras para o Super El Nino” com a participação de Guilherme Tampiere. 

O link para inscrição já está disponível em: https://www.sympla.com.br/evento-online/webinar-cases–inova-mpc–guia-de-preparacao-das-prefeituras-para-o-super-el-nino/3531216

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